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junho 2025
"A Dama da Rua das Sombras"
Numa vila esquecida pelo tempo, onde a névoa nunca se dissipava e o luar parecia mais um presságio do que uma bênção, vivia uma jovem chamada Elira. Todas as noites, ela caminhava descalça pela Rua das Sombras, com os cabelos ao vento e o olhar perdido em lembranças antigas. Ninguém sabia de onde vinha nem para onde ia, apenas que aparecia sempre ao soar do primeiro sino da meia-noite.
Apenas um companheiro lhe fazia sombra: um gato preto de olhos misteriosamente humanos, que a seguia como se guardasse um segredo — ou talvez fosse o próprio segredo.
A lamparina a gás, no alto do poste enferrujado, tremeluzia sempre que Elira passava, como se reconhecesse sua presença. Diziam os mais velhos que aquela mulher era um eco de outra era, condenada a andar por entre os vivos até que alguém descobrisse a verdade sobre sua morte.
Naquela noite, a lua cheia brilhava com uma intensidade azulada, revelando por breves instantes a silhueta de uma antiga igreja em ruínas. Foi lá que Elira desapareceu há mais de cem anos, noivo traída, envenenada pelo próprio irmão por causa de uma herança maldita.
E o gato? Dizem que é o irmão, transformado por uma maldição. Condenado a segui-la noite após noite, eternamente arrependido.
E enquanto houver pecado não confessado... Elira continuará a caminhar.


























































