Nas profundezas de um salão esquecido pelo tempo, um anjo oculto estava em uma gaiola dourada. Suas asas, outras majestosas, agora estavam manchadas de tristeza e presas por correntes invisíveis que brilhavam com o peso do destino. Os olhos do anjo refletiram um céu perdido, um mundo inalcançável além das notas intrincadas que se fecham mais a cada suspiro.
Ela tocava a gaiola com dedos delicados, buscando uma fração de liberdade, mas uma estrutura não cedia. Não havia chave, não havia porta. Apenas a idade envolta em um cárcere dourado, tão belo qu
A única saída foram nos sonhos que ela guardava, frágeis e incertos, mas sempre pulsantes, como uma melodia que ecoava na escuridão.



Sob o véu
suave da madrugada, quando o mundo ainda repousava em silêncio, uma fada de
beleza etérea caminhava pela floresta. Seus cabelos dourados brilhavam como
raios de lua, e suas asas delicadas cintilavam com o orvalho da noite. Com mãos
graciosas, ela colhia frutos silvestres, rubis da natureza, que pendiam das
árvores e arbustos como pequenos tesouros. Cada movimento era acompanhado pelo
murmúrio das folhas e pelo canto distante dos primeiros pássaros despertando.
A fada
sorria, pois sabia que aquele momento era mágico — uma dança secreta entre ela
e a natureza, banhada pela luz prateada que apenas a madrugada podia oferecer.



