A Guardiã do Rio de Prata
A lua cheia pendia no céu como um olho antigo e silencioso, espalhando sua luz sobre o rio adormecido. As águas corriam lentas, carregando reflexos prateados, e a margem era um tapete de sombras e luz.
A mulher-lagarto emergiu da escuridão, suas escamas reluzindo sob o brilho lunar. Seu corpo se movia com a suavidade de um sussurro, e seus olhos verdes cintilavam como duas pedras preciosas enterradas na noite. Ela caminhou até a beira da água e parou, sentindo a respiração do rio em seus pés.
Ali, sozinha sob a lua, ela ouviu o chamado da correnteza. Não eram palavras, mas lembranças — ecos de tempos esquecidos, segredos guardados nas profundezas. O rio era antigo, e ela também. Seu reflexo tremulava na superfície, misturando-se com o brilho da lua, e por um instante, ela não soube onde terminava sua forma e onde começava a água.
Com dedos alongados, ela tocou o rio. Ondas suaves se espalharam, e um brilho etéreo dançou na superfície. Ela se inclinou, sorvendo o silêncio, sentindo a força da terra sob suas garras e o chamado das águas em sua pele fria.
A lua seguia seu caminho no céu, indiferente ao mundo abaixo. E a mulher-lagarto ficou ali, imóvel, como parte da noite. Guardiã de um rio que jamais pararia de correr, de segredos que jamais seriam revelados.
Quando a primeira luz da manhã tocou o horizonte, ela deslizou para dentro das águas, desaparecendo sem som. Apenas o brilho do rio restou, como um último vestígio de sua existência.




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